- Menor que não se qualificava ou definia.
- Medir-se então nem prontificava.
- Nem deliberação de si não eclodia.
- De se ascender nem titubeava.
- Menor que era Narciso da simbologia.
- No fundo Menor que sentia,
- que menor que nada era!
- Em sua vista Menor que acima de tudo estava.
- Quanto mais no espelho Menor que se via,
- Menor que Maior que se achava.
- Menor que corria e às vezes saltitava.
- Menor que sabia que nada em ti faltava.
- Menor que de verde saiu um dia,
- Lépido e de face entusiamada.
- Limpo e penteado, maior que seria!
- E em rubor enquanto na viela andava,
- A humildade ausente se assumia.
- A bradar risada estridente e prolongada
- A cada coisa que era debochada,
- Mostrava sua sádica acrasia!
- E quando à beira do Ipiranga estava,
- Toda pontuação em frevo ali dormia.
- Exceto a interrogação que desatinada,
- Perdida em dúvida sempre se fazia.
- A bela interrogação, leda se enganava.
- Colchete como uma visagem tinha,
- Mas muda estava de entusiasmada.
- Feliz seu ânimo desanuviaria.
- Aquele ponto apenas interrogava:
- - Tire comigo uma só fotografia!!!
- Imerso em tietagem Menor que estava.
- Mostrou estar menos que encantada.
- Então um foto apenas ele a premiara.
- De tão soberba ele nem sorria.
- Porém quando a imagem via não se acreditava.
- Menor que o mundo Menor que estava.
- Em galope intenso Menor que buscava,
- Superfície tersa que logo encontrara.
- Quando em seu reflexo não se concentrava,
- O mundo inteiro inverso padecia,
- De uma real, triste e enviesada.
- Uma tragédia de proporção desmedida.
- Então sua vida perdeu poesia.
- Sua miséria era notória e escancarada.
- Perdido então se tomou qualquer droga.
- Na suas veias agora encontra bebida.
- O emprego perdeu na sua farta ausência.
- De tanto embriagez fumaça e seringa
- Ao despejo agora Menor que periga.
- Em desespero por sua subsistência.
- Travestiu-se como uma barra invertida.
- Prostituiu seu asterisco a bamba.
- A toda gente podre que queria.
- Logo então se tornara arrobada,
- De tanta dívida que Menor que tinha.
- Tamanho abuso danificou sua próstata.
- Tornou o acento agudo de ferida.
- Sem mais demora correu a medicina.
- Escolheu pra si um fraco proctologista.
- Que deixou a luva de álcool umedecida.
- E atolou em uma vez desenfreada.
- O dedo todo até da mão a palma.
- Ergueu-se então de dor desesperada.
- Arrancando a seco falange robusta.
- Voando a gritos e base avirgulada.
- Perdeu-se a fé, crase e a vil labuta.
- Por que a viril rolha deixava entalada.
- Então de fome ficou enfraquecida.
- Ganhou migalhas quando imitava,
- Em praça pública a madre cedilha.
- Porém num dia seco de primavera.
- Quando em ruas mornas mendigava.
- Números primos um opala dirigia.
- E Menor que repentinamente se esfacelava,
- Pois ao pára-choque duro e frio se chocara
- Virou no asfalto comum reticência.
- Que me trás a honesta alegria,
- De uma feliz história que se acabava…
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