Senhores e senhoras, testemunhas deste meu relato testamentado que meu neto chama de “ploque”:
Venho aqui em lágrimas, pois constato que meu fim é próximo e certo. O caminho foi longo e com certeza o meu quarto dedo do pé esquerdo fez falta nesta caminhada (conte do “dedão” para o “mindinho”). Descobri essa manhã que o Valdir não brincava, era Césio! Estou com uma mancha esverdeada disforme em meu braço que eu sei que é doença ruim! Já ouvi falar que isso acontece muito. Geralmente em dálmatas, mas humanos e bauxitas também podem ser afetadas.
Minha filha está inconsolável! Como dói o fim, irmãos de letra. Sabereis um dia. Ela agiu com falso desdenho quando lhe mostrei. Que dúvida, não queria acreditar. Quem gostaria? Vai perder o único homem que fez algo que preste a ela nessa vida. Ah, minha pensão! Ah, loto! Sua face mentia altivez e quando perguntei onde ela gostaria de passar o natal este ano, ela levantou-se em fúria com a ingrata vida e disse que queria passar na cidade onde eu nasci… claro que disse isso com raiva, usando palavras que poderia ofender em situações diferentes, mas não agora, não no fim, no ocaso…
Saiu aos prantos, dizia-se exausta. A perda cansa. Talvez pense que não dure até lá. Maldito tom ranho em meu antebraço exposto. Minâncora… o que tenho a perder. Acho que meu quadril estalou. Que merda!