Pequeno guia de sobrevivência para pseudo-acautelados

#456 – Evitando traições no ambiente de trabalho

Atente-se, caro leitor, aos desprovidos de simetria auricular. Destes podemos esperar as mais impensadas ações, que vão do auto-flagelo capilar a obsessiva busca por ideais fajutos. A falta ou excesso cartilaginoso faz do seu portador um tendente a pederastia conjuntiva absoluta, ou, como dizemos em letão arcaico konjunktīva absolūtā ļaunprātīga! Como um Yom Tov de mil oxiúros, a paura alastra-se neste indivíduo até este autoimpale-se ou, na ausência de objetos fálicos de proporções bíblicas, usar de falácias para se aJudar (ou tornar-se Judas). Há quem se engane em achar que a fúria dos zoreinhas (apelido popular aos assimétricos auriculares) advém da inconformidade de seu diminuto órgão sexual. Nada mais crasso, uma vez que estes seres enxergam em si a maior grandeza, mesmo na obviedade da mais ridícula amostra peniana. O gran motivador destes seres é a franca necessidade em manter as suas vilosidades esticadas e na ausência desta sensação insurge com a fúria de cervo a matriarca da razão enclausurada na vastidão intestinal. Não se deve menosprezar a inteligência de um Orelha de Sabugo (Jargão popular traduzido direto da Indonésia), embora esta seja mui proporcional ao seu membro semi-rijo. Adeptos a zoofilia, têm como prática habitual tórridos estupros a chinchilas domésticas, o que lhes causa imensa frustração, seja pela corriqueira ereção débil, seja pela extraordinária semelhança dos órgãos.


Estudo de caso #1 – Sr. Lauco Pimenta

O Sr. Pimenta era um (provável) proeminente labutador, destacando-se por sua indelével força de vontade e lamuriante discurso. Ao sentir-se acuado, invariavelmente, perpetrava a traição aos seus iguais, fazendo com estes as mais obscuras perfídias. Certo dia, ao mirar-se no espelho, pode perceber a assimetria auricular na qual fora acometido. Aterrorizados, seus vizinhos o encontraram na manhã seguinte autoimpalado com uma vassoura Rossi, e jazia em uma limpeza impecável.

Razão do meu vir ver

A pirofagia em reta prosa alardeia e a veia insufla,
Maltrata o ventre em despedida à mandrágora.
Silencia em mergulho e empuxo lhe insulta
De pano fino celulósico o resto ancora.
Faz da pose honesta prostituta,
O ato escuso em que se cora
A mercê de quem expulsa,
De sopro derroca a tora
Marca da dor oculta
Sábia Minâncora!

Sermão do Serpenteio (lho)

Norteia-me no cálido shimeji alheio
Receio que é tarde, mas teu sono canta
Ó Santa Querupita me repita agora
Amora que me deras e que apodreceu

Morreu num estalido de verborragia
Magia encanta esse servo ateu
Filisteu desgarrado sem redenção
Condição perene da aerofagia

Sabia exato instante de triste deixa
Queixa fez ciente do revés destino
Intestino jaz como atual morada
Revoada prece o firmamento alcança

Lança a voz em coro angelical
Anal trombeta encerra o cântico
Cu Amém!

As pequenas imperfeições das mulheres são melhores! Com sorte, não as vemos.

Excertos do meu livro nunca lançado de trovas (página 60)

Ardida canaleta esguia de carne
Onde passa o rio de esmeralda etérea
Desvanecido e cálido em frio vale
Brinda a urolagmia da santa estérica

Excertos do meu livro nunca lançado de trovas (páginas 12 e 86)

Tão delicado lábio esse, que beija o mundo
Que baldio e faminto saliva, insano e espumante
Nublado pela visão de um escroto rotundo
Enfrenta nobre um afocinhado de elefante!

Tesa derme que há tanto era
Fizera do bojo um nojo quimera
Matando o nódulo despregado
Valsado poro agora osciloso

Faceiro, pisca ritmadamente, e então para!
Nascente estreita de cada esgoto metropolitano
Tão comum estrela negra posta de cor rara
Nega abrigo ao errante, defraudando.

Não existe nada, absolutamente nada, mais sincero do que uma bengala em diagonal.

Vivo!!! Vivo!!! Minâncora!!! Vivo!!!

Fumeta

F
Fu
Fum
Fume
Fumet
Fumeta
Fumet
Fume
Fum
Fu
F

Senta a fumeta!

Um natal, um adeus…

Senhores e senhoras, testemunhas deste meu relato testamentado que meu neto chama de “ploque”:

Venho aqui em lágrimas, pois constato que meu fim é próximo e certo. O caminho foi longo e com certeza o meu quarto dedo do pé esquerdo fez falta nesta caminhada (conte do “dedão” para o “mindinho”). Descobri essa manhã que o Valdir não brincava, era Césio! Estou com uma mancha esverdeada disforme em meu braço que eu sei que é doença ruim! Já ouvi falar que isso acontece muito. Geralmente em dálmatas, mas humanos e bauxitas também podem ser afetadas.

Minha filha está inconsolável! Como dói o fim, irmãos de letra. Sabereis um dia. Ela agiu com falso desdenho quando lhe mostrei. Que dúvida, não queria acreditar. Quem gostaria? Vai perder o único homem que fez algo que preste a ela nessa vida. Ah, minha pensão! Ah, loto! Sua face mentia altivez e quando perguntei onde ela gostaria de passar o natal este ano, ela levantou-se em fúria com a ingrata vida e disse que queria passar na cidade onde eu nasci… claro que disse isso com raiva, usando palavras que poderia ofender em situações diferentes, mas não agora, não no fim, no ocaso…

Saiu aos prantos, dizia-se exausta. A perda cansa. Talvez pense que não dure até lá. Maldito tom ranho em meu antebraço exposto. Minâncora… o que tenho a perder. Acho que meu quadril estalou. Que merda!

Pimenta na fumeta dos outros, é refresco.

Nunca pergunte sobre o natal se muitos dele tiver

Idoso não tem vez nessa porcaria de país. Desculpe-me senhor leitor, mas é de lascar não ter mais controle da bexiga ou das pregas! Sei que estou rude e tendo a lhe ofender desnecessariamente. E a culpa não é vossa! Estou ciente disso em meio ao meu descontrole. Veja bem, quem me lê, veja bem! Quantas décadas são necessárias para o respeito? Dez? Feliz de poder viver mais um ano em família, pensei na data, mesmo que fictícia, mesmo que comercial, do nascimento de menino, o Natal, ou Heimatstadt como a Frida dizia. Perguntei gentilmente ao meu rebento, fruto ingrato da minha fraca carne, onde ela estava planejando passá-lo, e sou respondido com berros:

- Oito hoje! Oito!!! “Peraí”!

E sabe o que ela fez, caro leitor. Escreveu no meu braço com uma esferográfica verde satânica e saiu dizendo:

- Posso preparar o seu café em paz agora? Merda, papai! Merda!!

Indignidade toda. E pra que vamos para aquela bosta de cidade? Se bem que eu gasto pouco com as… você sabe, não é, gentil leitor. Ser idoso é sofrer em dose megalónoma!

Esse monte de novas regras me dão enjôo, Sr. Baptista.

Notei, cara leitora, até regurgitastes um acento circunflexo na palavra “enjoo”.

Este ano o natal tende a ser capixaba!

Hoje o dia amanheceu deliciosamente nublado e um estalo na minha a bacia remeteu-me ao Natal, veja só! Perguntei a minha filha quais os planos para este ano. Com a impaciência corriqueira herdada de sua mãe, respondeu-me quase rispidamente que vamos a Guarapari este ano. Para ser franco, de tão pouco ouvir falar no estado do Espírito Santo achei que o aquecimento global já tinha dado cabo daquela região. Nada contra o nosso “Estado Alzheimer “, como dizia o nosso saudoso Roberto Roger… Minha filha acaba de me falar que Roberto Roger não morreu por isso não pode ser saudoso. Tenho o terrível hábito de escrever falando. Se não o faço doi-me o testículo. Não me lembro qual.

Mas eu gosto de lá. Suas prostitutas têm o melhor custo benefício do Sudeste. São funestíssimas de tão feias, mas são relativamente baratas. Fora que os dentes são aparatos cem por cento desnecessários ao sexo e correndo o risco de parecer puritano, julgo até como dote negativo ao rijo ato. Isso faz da falena capixaba em média ser a mais naturalmente apta ao meretrício praticamente enlatado.

Não é que deu saudade? Ah, se aquele espetinho de camarão não me der piriri… Iriri?

Não acredite em frases repetidas. Não acredite em frases repetidas.